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Ele não se mexe. Parece paralisado. Foram apenas cinco segundos, mas o suficiente para nos dar a impressão de que estava nervoso. Impressão que se transformou em certeza quando abriu a boca e a voz não saiu. Tudo o que ele emitiu foi um som gutural que insistiu em travar na garganta na forma de uma inconfundível e embaraçosa gagueira.
Seu colega tentou ajudar, mas não sabia muito o que fazer, a forma como mexia as mãos denunciava suor e a conseqüente constatação de que também estava nervoso. Seus olhares iam para todos os lados, menos para sua pequena audiência. Suas palavras iniciais finalmente saíram, mas soavam artificiais e ainda continham o tremor pouco natural da voz.
As mãos sobravam e passeavam nervosas e rápidas até encontrarem conforto dentro dos bolsos, um conforto que seu dono ainda não encontrara. Assim foi o primeiro longo minuto. Do segundo ao quinto toda a situação parecia ter melhorado bastante. No meio da apresentação, para tranqüilidade de todos, a fala saía com mais espontaneidade e naturalidade, o olhar já era mais tranqüilo e podíamos até sentir, lá do fundo da sala, que o coração já voltara ao ritmo normal.
Esta cena se repetiu durante toda esta tarde e noite em que escrevo este texto, com maior ou menor intensidade, com outras pessoas que tinham em comum o fato de serem alunos da graduação e a natureza de suas apresentações: a defesa de sua idéia de negócio perante uma platéia formada por poucos, mas bem qualificados juízes, de professores a consultores, de investidores a empreendedores, que são voluntários do Empreenda 2008, nossa competição interna de planos de negócios. Sentado no fundo da sala, observando todos estes sinais, lembro-me da minha primeira apresentação pública sob as mesmas condições e pressões, há mais de 20 anos. Dou risada sozinho. Foi exatamente da mesma forma.
Existem algumas coisas que não podem ser aprendidas em sala de aula e esta é uma delas. Todos temos que passar, mais cedo ou mais tarde, por esta experiência. Não há como não ficar nervoso sob tais circunstâncias. Mas, como disse um dos participantes, aliviado após sua apresentação: “na segunda vez é bem mais fácil” (ele participou no ano passado).
Fico muito feliz quando vejo alunos participando da competição pela segunda vez, principalmente quando constato a evolução deles em apenas um ano. Não é só a apresentação que melhora, a qualidade da idéia desenvolvida, o plano escrito, a maturidade e autoconfiança também. O Empreenda é apenas uma simulação de uma situação muito comum para o empreendedor que vai buscar apoio para fazer sua idéia acontecer e, certamente, estes alunos não farão feio em uma situação real perante o investidor. O treino na competição é muito útil para preparar o aluno para uma situação real e eu não conheço nenhum empreendedor que não teve que vender sua idéia para alguém em algum momento da vida do seu empreendimento
Categories: Plano de negócios, Empreendedorismo
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